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Reportagem Revista GQ

Em entrevista realizada pela revista GQ-Globo, Dr. Pachón foi citado como um dos principais médicos da medicina nacional.


23/11/2013 – 11H02 – ATUALIZADO EM 23/04/2017 ÀS 21H12 – POR MARIANNE PIEMONTE

5 médicos brasileiros que revolucionaram a medicina

José Carlos Pachón Mateos
Cientista e médico, do laboratório dele saíram técnicas que facilitam as cirurgias no coração

Nossa entrevista estava marcada para as 11h de uma sexta-feira, mas ela só pôde ser feita às 9h da manhã seguinte. Naquela dia supostamente tranquilo, José Carlos Pachón Mateos, de 57 anos, emendou um procedimento no outro e ficou 12 horas ininterruptas dentro de um centro cirúrgico. “Eu nem sinto mais o tempo passar”, disse o médico, que estava feliz pelo sucesso em ambas operações.

Em São Paulo desde 1979, o mineiro de Uberaba é hoje o diretor do Serviço de Arritmia do HCor e também o responsável pelo Setor de Estimulação Cardíaca Artificial do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Fora do Brasil, ele é conhecido como o médico responsável por criar técnicas capazes de curar arritmias graves com métodos pouco invasivos, que devolvem o paciente à vida normal com apenas três dias de repouso, em média. Antes dele, era preciso abrir o peito e o tórax dos doentes, que levavam meses para voltar à rotina.

Uma de suas criações é a estimulação cardíaca pelo esôfago, técnica celebrada em congressos europeus e que hoje é amplamente usada na França. Por meio dela, é possível curar uma arritmia, com o uso de uma pequena e finíssima sonda que chega ao ponto entrando pela perna do paciente. Outra, a “estimulação ventricular bifocal”, que como sugere o nome estimula os ventrículos em dois pontos diferentes, foi recentemente experimentada em Taiwan. Mais duas técnicas para o tratamento da fibrilação atrial – a doença que matou o jogador Serginho, do São Caetano – e da síncope vagal maligna, que causa desmaios e apagões inesperados, foram apresentadas e começam a ser usadas em diferentes partes do planeta. Todas têm a mesma característica, são menos invasivas e altamente avançadas.

Graças ao trabalho desse médico, fica cada vez mais distante a necessidade de abrir o peito e o tórax do paciente – a maioria dos males é tratada com um catéter que chega ao ponto com o auxílio de computadores. Atualmente, o grande aliado de sua equipe é um computador que permite ver o coração em 3D por dentro e batendo, para checar onde estão as arritmias.

Filho de uma família de três irmãos médicos, Pachón também é pai de três filhos médicos. “Digo que quando eles se formaram em medicina eu realmente me reproduzi”, diz. Para ele, que entende a medicina como um estilo de vida, esta era a área que mais abrangia física, química e biologia, suas paixões. Por isso, além das cirurgias e do tempo que passa em seu consultório, em Moema, ele comanda uma equipe de cientistas em seu laboratório no Dante Pazzanese. É do cruzamento dessas frentes que surgem as técnicas que vêm se tornando referência no mundo.

Fonte: https://gq.globo.com/Corpo/Saude/noticia/2013/11/doutor-tipo-exportacao.html