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SEMAP · São Paulo, Brasil

Cardioneuroablação

Com o grupo que criou a técnica.

A cardioneuroablação é um procedimento por cateter que reduz a influência excessiva do nervo vago sobre o coração. Pode ser avaliada em pessoas selecionadas com desmaios reflexos graves e recorrentes, especialmente quando há pausas cardíacas documentadas.

A técnica foi criada pelo grupo do Prof. Dr. José Carlos Pachón Mateos, em São Paulo, e descrita na revista Europace em 2005.[1][2]

Mapeamento eletroanatômico
Mapa eletroanatômico tridimensional com regiões de interesse para cardioneuroablação
Mapeamento eletroanatômico do programa do grupo Pachón. A imagem ilustra uma ferramenta de orientação da ablação, sem prever o resultado de um paciente.
2005

Publicação original da cardioneuroablação pelo grupo Pachón.[1]

Por cateter

Acesso pelas veias, sem abertura do tórax e sem deixar um aparelho implantado.

São Paulo

Avaliação de pacientes do Brasil e do exterior, com planejamento individual.

Uma contribuição brasileira

Quem criou a cardioneuroablação?

A cardioneuroablação foi criada pelo grupo de José Carlos Pachón, com Enrique Pachón e colaboradores, em São Paulo. A descrição original foi publicada em janeiro de 2005 na Europace. O documento científico de 2024 das sociedades EHRA, HRS, APHRS e LAHRS reconhece que a técnica foi introduzida por Pachón e colaboradores.[1][2]

O grupo continuou a estudar os resultados clínicos e a desenvolver formas de localizar a inervação cardíaca e avaliar o efeito da ablação.

O registro da origem

Europace · 2005 · volume 7, páginas 1 a 13

José C. Pachon, Enrique I. Pachon, Juan C. Pachon, Tasso J. Lobo, Maria Z. Pachon, Remy N. A. Vargas e Adib D. Jatene. Publicação original sobre cardioneuroablação para síncope neurocardiogênica, bloqueio atrioventricular funcional e disfunção sinusal.

Consultar o artigo original no PubMed

Descrição original. O grupo Pachón apresenta a cardioneuroablação e o uso de análise espectral dos sinais cardíacos para orientar a ablação.[1]

Acompanhamento de longo prazo. O grupo publica uma série de pacientes tratados por síncope reflexa grave.[3]

Estimulação vagal extracardíaca. Publicação do método para comparar a resposta vagal antes e depois da ablação.[4]

Discussão científica internacional. Quatro sociedades de arritmia reúnem evidências, critérios de seleção e questões ainda em estudo.[2]

Quem integra hoje o programa de cardioneuroablação

Conheça a equipe do programa de cardioneuroablação do grupo Pachón.[8]

  • Prof. Dr. José Carlos Pachón Mateos ORCID ↗
  • Prof. Dr. Enrique I. Pachón Mateos ORCID ↗
  • Dr. Carlos Thiene Cunha Pachón ORCID ↗
Prof. José Carlos Pachón Mateos em apresentação no evento Arritmias 2026, em Cascais, Portugal

Prof. José Carlos Pachón Mateos no Arritmias 2026, em Cascais, Portugal.

Conheça o programa internacional ↗

O que a cardioneuroablação faz no coração?

O nervo vago participa do controle da frequência cardíaca. Em algumas pessoas, um reflexo exagerado faz o coração desacelerar muito ou pausar durante o desmaio. A cardioneuroablação atua em regiões relacionadas aos plexos ganglionares, pequenos agrupamentos de células nervosas associados aos átrios, para reduzir essa resposta.[1][5]

O procedimento, também chamado cardioneuroablation ou CNA na literatura internacional, é feito por cateter. Não corta o nervo vago no pescoço nem deixa um marca-passo implantado. Modifica sua influência sobre o coração.

O mecanismo do desmaio importa. Na síncope vasovagal, a pressão arterial também pode cair. A cardioneuroablação busca tratar o componente de lentificação ou pausa cardíaca; não elimina necessariamente a queda de pressão. Quando predomina esse componente vasodepressor, a técnica não é considerada uma opção apropriada no documento internacional de 2024.[2]

Quando considerar a cardioneuroablação?

A principal situação estudada é a síncope reflexa grave e recorrente com componente cardioinibitório documentado, isto é, desmaio acompanhado de lentificação importante ou pausa do coração. A evidência se concentra em pessoas selecionadas, em geral mais jovens, com episódios graves e pausas cardíacas documentadas, que continuam a ter sintomas apesar das medidas convencionais. Uma frequência baixa sem pausas, inclusive no tilt test, não basta para indicar o procedimento.[2][6]

A consulta relaciona a história dos desmaios ao ECG, Holter ou outros registros de ritmo, tilt test e ecocardiograma. Em alguns casos, registros mais prolongados do ritmo ou testes da resposta autonômica, como o de atropina, ajudam a esclarecer o mecanismo dos desmaios. Cada exame depende da dúvida clínica. Um tilt positivo, sozinho, não define a indicação.[2]

O grupo também publicou estudos sobre bloqueio atrioventricular funcional e disfunção sinusal relacionados ao vago. Essas situações exigem seleção especialmente cuidadosa. O documento de 2024 considera o uso nesses quadros investigacional e recomenda sua avaliação em estudos controlados.[2][9]

E quando o marca-passo continua necessário?

Doença intrínseca do nó sinusal ou da condução elétrica pode exigir marca-passo. Ele também pode ser indicado em pessoas selecionadas com síncope reflexa grave, recorrente e imprevisível, quando pausas cardíacas documentadas têm papel importante nos desmaios, especialmente acima de 40 anos. A cardioneuroablação não repara um sistema de condução doente. Antes de considerar uma alternativa, é preciso esclarecer por que o aparelho foi indicado e discutir a qualidade das evidências de cada opção, sem adiar um implante com indicação estabelecida.[2][5]

As opções também incluem orientação sobre gatilhos, medidas físicas e de estilo de vida, ajustes de medicamentos e tratamentos específicos. Hidratação e aumento de sal, por exemplo, precisam respeitar condições como hipertensão e insuficiência cardíaca. Não suspenda uma conduta prescrita para aguardar a avaliação.

Como é feita a cardioneuroablação?

No programa do grupo Pachón, o procedimento é realizado em laboratório de eletrofisiologia, habitualmente sob anestesia geral. Os cateteres são introduzidos por veias, geralmente na virilha. A técnica exige punções vasculares, mas não abertura do tórax.[8]

  1. Mapear os sinais

    O mapa tridimensional e a análise dos sinais elétricos ajudam a identificar as regiões relacionadas à inervação cardíaca. A análise espectral está na descrição original do grupo; o mapeamento de fracionamento foi estudado em trabalhos posteriores.[1][5][10]

  2. Aplicar radiofrequência

    A energia é aplicada nas regiões selecionadas dos átrios para reduzir a influência vagal. O acesso e a extensão da ablação dependem do quadro clínico e da estratégia definida pela equipe.[5]

  3. Avaliar a resposta vagal

    A estimulação vagal extracardíaca permite comparar a resposta do coração antes e depois da ablação. O grupo Pachón publicou esse método em 2015. O teste ajuda a avaliar o efeito durante o procedimento; o resultado clínico é acompanhado ao longo do tempo.[4][10]

No programa de cardioneuroablação do grupo Pachón, o procedimento costuma durar de duas a três horas. Esse tempo varia conforme o caso. Preparo, anestesia e internação são definidos após a avaliação. Jejum e uso de medicamentos devem seguir as orientações recebidas da equipe.[8]

O que os estudos mostram?

A literatura reúne estudos do grupo criador, pesquisas de outros centros e ensaios clínicos. Há resultados favoráveis em pacientes selecionados, mas os estudos diferem quanto ao perfil dos pacientes, técnica e duração do acompanhamento. A cardioneuroablação permanece um tratamento em desenvolvimento.[2][3][6]

Ensaio clínico de outro centro

Desmaios ao longo de dois anos

Piotrowski e colaboradores · JACC: Clinical Electrophysiology, 2023 · 48 participantes, idade média de 38 anos, distribuídos aleatoriamente entre dois grupos.[6]

22 de 24 sem recorrência de síncope em dois anos no grupo de cardioneuroablação
11 de 24 sem recorrência em dois anos no grupo de tratamento não farmacológico otimizado

Houve novo desmaio em 2 participantes após a ablação e em 13 no grupo de comparação. O estudo incluiu pessoas com síncope cardioinibitória ou mista documentada e resposta positiva ao teste de atropina.

Estudo pequeno e aberto, sem procedimento simulado. Esses resultados não são uma taxa de sucesso da SEMAP nem uma previsão individual. A publicação pede estudos maiores para confirmar os achados.

Estudos de 2025 e 2026 ampliaram o acompanhamento da cardioneuroablação em diferentes centros e compararam formas de realizar o procedimento. Os resultados variam conforme os pacientes selecionados, a técnica e o tempo de acompanhamento. Comparar duas técnicas de ablação não demonstra, por si, vantagem sobre o tratamento convencional ou o marca-passo. O resultado de um estudo não prevê o resultado de cada pessoa.[11][12][13]

O posicionamento de EHRA, HRS, APHRS e LAHRS de 2024 reúne evidências, critérios de seleção e questões que ainda precisam ser esclarecidas. A seleção adequada e o acompanhamento prolongado continuam essenciais.[2]

Riscos, recuperação e acompanhamento

A cardioneuroablação é invasiva. Pode causar sangramento ou hematoma no acesso vascular, tromboembolismo, lesão ou perfuração do coração e complicações da anestesia. Sangue acumulado ao redor do coração pode comprimi-lo, situação chamada tamponamento, e exigir drenagem ou cirurgia. Também pode ocorrer lesão de nervos próximos ou do sistema elétrico do coração, eventualmente com necessidade de marca-passo. A equipe deve explicar os riscos da estratégia proposta e como essas complicações são tratadas.[2][11]

O aumento da frequência cardíaca merece atenção: pode provocar palpitações persistentes e, em alguns pacientes, exigir tratamento. A recorrência dos desmaios também é possível, inclusive por persistência de queda da pressão ou recuperação de parte da influência nervosa. Em casos selecionados, pode ser necessário repetir a ablação ou implantar um marca-passo.[7]

Os efeitos da redução duradoura da influência vagal sobre a saúde cardiovascular ainda não estão completamente esclarecidos. Essa incerteza reforça a importância do acompanhamento prolongado.[2]

Após o procedimento, há observação hospitalar e reavaliação antes da alta. As orientações sobre curativo, esforço, retorno ao trabalho, direção e viagens são individualizadas. Conforme a técnica e as condições clínicas, podem ser necessários medicamentos por um período; a equipe orienta o uso e a duração. Não altere a prescrição por conta própria. O acompanhamento considera sintomas, frequência cardíaca e exames quando necessários.[2]

Quando procurar atendimento imediato

Desmaio com dor no peito, falta de ar importante, fraqueza súbita ou recuperação incompleta exige avaliação urgente. Após o procedimento, sangramento importante ou piora súbita também requer pronto atendimento. No Brasil, ligue SAMU 192; em outro país, acione o serviço de emergência local. O WhatsApp é destinado ao agendamento.

Atendimento em São Paulo

Para quem vem de outra cidade ou país

A avaliação pode começar pela revisão da história clínica e dos exames em teleconsulta, conforme as condições do atendimento. O atendimento do programa de cardioneuroablação é realizado em português, inglês e espanhol. Pacientes do Brasil, de outros países da América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa podem organizar a avaliação antes de planejar a viagem.[8]

Os procedimentos do programa de cardioneuroablação são realizados no HCor e no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Hospital, equipe responsável, orçamento e agenda são definidos para cada caso. Cobertura por convênio ou seguro deve ser confirmada diretamente com a operadora.[8]

O retorno à cidade ou ao país de origem depende da evolução clínica e da liberação médica. Quem vem de longe deve combinar o acompanhamento com seu cardiologista local e reservar margem para mudanças na data de retorno.

Perguntas frequentes

A cardioneuroablação pode evitar o marca-passo?

Pode ser uma alternativa em situações selecionadas nas quais a influência vagal tem papel determinante. Algumas pessoas com síncope reflexa grave e pausas documentadas também têm indicação de marca-passo; a CNA não é substituição automática. É necessário distinguir um reflexo funcional de doença do sistema elétrico do coração. Para disfunção sinusal e bloqueio atrioventricular de origem vagal, o documento internacional de 2024 considera essa aplicação investigacional, em estudos controlados.[2][9]

Todo desmaio vasovagal pode ser tratado dessa forma?

Não. Muitos pacientes melhoram com medidas convencionais, e parte dos desmaios depende principalmente da queda de pressão. A decisão exige relacionar os episódios ao ritmo cardíaco e avaliar o papel de cada mecanismo.[2]

Cardioneuroablação é a mesma ablação da fibrilação atrial?

São procedimentos com objetivos diferentes. A cardioneuroablação procura modificar a influência autonômica sobre o coração. A ablação da fibrilação atrial trata mecanismos dessa arritmia, frequentemente com isolamento das veias pulmonares. Existem pesquisas que relacionam as duas abordagens, mas a indicação de uma não implica a da outra.[5]

Os desmaios podem voltar?

Sim. A resposta pode ser incompleta e os sintomas podem retornar. É preciso investigar se o episódio decorre de queda da pressão, nova pausa ou outra causa. Por isso, o acompanhamento continua mesmo quando a pessoa passa a se sentir bem.[7]

Quanto custa e quanto tempo preciso ficar em São Paulo?

O orçamento depende da avaliação, hospital e materiais previstos. Internação e permanência na cidade variam com a evolução e as condições para viajar. Solicite o planejamento individual antes de comprar passagens; não há um prazo de alta ou retorno que sirva a todos.

Quais exames devo levar à primeira avaliação?

Se já tiver, reúna ECG, Holter, tilt test, ecocardiograma, relatórios de atendimentos e a lista dos medicamentos em uso. Traçados completos ajudam além dos laudos. Anote também como começam os desmaios, a frequência e se provocaram quedas ou lesões. A equipe orientará quais exames adicionais são necessários.

Avaliação dos desmaios

Avaliação para cardioneuroablação

Na consulta, apresente seus exames e tratamentos anteriores e descreva os desmaios. A equipe discutirá as opções de tratamento, os possíveis benefícios e os riscos no seu caso.

Solicitar avaliação pelo WhatsApp

+55 11 92137-6068 · Canal de agendamento.
Para informações internacionais: international@pachon.com.br.

Consultório do programa de cardioneuroablação: Rua Cubatão, 86, conjunto 504.
São Paulo, SP, Brasil · CEP 04013-000.
Português · English · Español

Artigos e fontes desta página

As referências abaixo permitem conferir a origem da técnica e distinguir estudos clínicos de informações do serviço. A numeração acompanha as afirmações ao longo da página.

  1. Pachon JC et al. Publicação original de cardioneuroablação. Europace. 2005;7(1):1–13. DOI: 10.1016/j.eupc.2004.10.003. PMID: 15670960. Descrição inicial e autoria da técnica.
  2. Aksu T et al. Scientific Statement EHRA, HRS, APHRS e LAHRS. Europace. 2024;26(8):euae206. DOI: 10.1093/europace/euae206. PMID: 39082698. História, seleção, evidências e limitações.
  3. Pachon JC et al. Cardioneuroablation long-term results. Europace. 2011;13(9):1231–1242. DOI: 10.1093/europace/eur163. PMID: 21712276. Série do grupo com acompanhamento de longo prazo.
  4. Pachon M JC et al. Simplified Method for Vagal Effect Evaluation in Cardiac Ablation and Electrophysiological Procedures. JACC Clin Electrophysiol. 2015;1(5):451–460. DOI: 10.1016/j.jacep.2015.06.008. PMID: 29759475. Método de estimulação vagal extracardíaca.
  5. Pachon JC et al. Cardioneuroablation: Where are we at? Heart Rhythm O2. 2023;4(6):401–413. DOI: 10.1016/j.hroo.2023.02.007. PMID: 37361615. Revisão do método e questões em investigação.
  6. Piotrowski R et al. Cardioneuroablation for Reflex Syncope: Efficacy and Effects on Autonomic Cardiac Regulation. A Prospective Randomized Trial. JACC Clin Electrophysiol. 2023;9(1):85–95. DOI: 10.1016/j.jacep.2022.08.011. PMID: 36114133. Ensaio de 48 participantes, com acompanhamento de dois anos.
  7. Kulakowski P et al. Cardioneuroablation for reflex asystolic syncope: Mid-term safety, efficacy, and patient's acceptance. Heart Rhythm. 2024;21(3):282–291. DOI: 10.1016/j.hrthm.2023.11.022. PMID: 38036236. Recorrência e efeitos adversos no acompanhamento.
  8. Programa de cardioneuroablação do grupo Pachón. Fonte institucional consultada em 29/09/2026: equipe, fotografias, contato, local de atendimento e organização do programa internacional.
  9. Pachon-M JC et al. Treatment of Symptomatic Functional Atrioventricular Block by Cardioneuroablation as an Alternative to Pacemaker Implantation. JACC Case Rep. 2022;4(15):990–995. DOI: 10.1016/j.jaccas.2022.04.029. PMID: 35935156. Relato de caso de uma paciente com bloqueio atrioventricular funcional; não estabelece indicação geral.
  10. Pachon-M EI et al. Relation of Fractionated Atrial Potentials With the Vagal Innervation Evaluated by Extracardiac Vagal Stimulation During Cardioneuroablation. Circ Arrhythm Electrophysiol. 2020;13(4):e007900. DOI: 10.1161/CIRCEP.119.007900. PMID: 32188285. Mapeamento e avaliação do efeito vagal.
  11. Tung et al. Registro multicêntrico norte-americano de cardioneuroablação. JACC Clin Electrophysiol. 2025. Estudo observacional com técnicas e perfis heterogêneos; não compara CNA aleatoriamente com marca-passo ou tratamento conservador.
  12. Tu et al. Ensaio de ablação cardioneural esquerda versus biatrial. 2025. Compara duas estratégias técnicas de CNA, não CNA contra tratamento convencional ou marca-passo.
  13. Vojnika et al. Marcadores de desnervação autonômica e recorrência após CNA. JACC Clin Electrophysiol. 2026. Coorte retrospectiva; recorrências reforçam a necessidade de acompanhamento e cautela na previsão individual.