Fale conosco no WhatsApp
Estimulação cardíaca

Implante de marca-passo

Do ritmo lento à estimulação atrial

Ilustração educativa de estimulação atrial: um exemplo de ritmo lento seguido de estímulos do marca-passo nos átrios.

O marca-passo é um aparelho implantável que acompanha o ritmo e envia impulsos elétricos quando o coração precisa de ajuda para manter os batimentos.

A indicação depende do tipo de alteração elétrica, dos sintomas e dos exames.

Avaliação, implante e acompanhamento

  1. Na avaliação

    Leve eletrocardiogramas, Holter, relatórios e a lista de medicamentos. A equipe relaciona os sintomas aos registros do ritmo.

  2. No implante

    O sistema e a técnica são escolhidos para o seu caso. O funcionamento é testado e a programação é ajustada.

  3. No acompanhamento

    Após o implante, a equipe avalia a ferida, o marca-passo e os sintomas e orienta a retomada das atividades.

Veja as referências e os limites de cada indicação

O que o marca-passo faz

O coração tem um sistema elétrico que inicia e conduz os batimentos. Quando esse sistema funciona devagar ou apresenta bloqueios, podem surgir cansaço, tontura, falta de ar e desmaio. O marca-passo fornece a estimulação necessária conforme a programação.

No modelo convencional, um pequeno gerador fica sob a pele, geralmente abaixo da clavícula, conectado a eletrodos que chegam ao coração pelas veias. Algumas pessoas precisam de estímulos ocasionais; outras, de estimulação na maior parte do tempo. O aparelho convencional não aplica choques de desfibrilação. [1]

Estimular

  1. Perceber

    O sistema acompanha a atividade elétrica.

  2. Estimular

    Envia impulsos conforme a necessidade e a programação.

Esquema de função. Não representa anatomia, traçado de ECG ou resultado de um paciente. Referências clínicas

Quando o implante é indicado

Entre as indicações estão alterações do nó sinusal, o marca-passo natural do coração, quando causam sintomas relacionados ao ritmo lento. O aparelho também pode ser indicado para certos bloqueios na passagem do impulso dos átrios aos ventrículos. Alguns bloqueios avançados podem exigir marca-passo mesmo sem sintomas, após investigar causas reversíveis.

A avaliação busca relacionar os sintomas às alterações registradas no eletrocardiograma e, quando necessário, no Holter ou em monitorizações mais prolongadas. O ecocardiograma ajuda a avaliar a estrutura e a função cardíaca.

Uma frequência baixa isolada, inclusive durante o sono ou em atletas, não define a indicação. Na fibrilação atrial, o aparelho pode ser necessário quando o ritmo ventricular lento causa sintomas ou está associado a bloqueios relevantes. [1]

Marca-passo, CDI e ressincronizador: qual a diferença?

O marca-passo convencional pode estimular uma ou duas câmaras. Há também modelos sem cabos, chamados leadless, implantados diretamente no coração por um cateter introduzido em uma veia, para casos selecionados. A escolha considera o ritmo, a anatomia e a função do coração.

  • Marca-passo: trata determinadas alterações do ritmo lento e da condução elétrica.
  • Desfibrilador (CDI): trata arritmias ventriculares potencialmente fatais. Modelos com eletrodos pelas veias também oferecem estimulação para batimentos lentos; o CDI subcutâneo isolado não oferece essa função de forma crônica.
  • Ressincronizador (CRT): busca melhorar a coordenação dos ventrículos em pacientes selecionados. O CRT-P oferece estimulação; o CRT-D acrescenta desfibrilação. [1] [4]

Como se preparar e como é o implante

Leve os exames e a lista de medicamentos. Avise sobre alergias, febre ou infecção recente. A equipe define jejum, exames necessários e o que fazer com anticoagulantes e antiagregantes. Não suspenda esses remédios por conta própria e organize um acompanhante para a alta.

O implante convencional é feito com anestesia local e, quando indicada, sedação. Por uma incisão abaixo da clavícula, o médico posiciona os eletrodos através de uma veia, guiado por imagem, e conecta o gerador. O aparelho é testado e programado antes da alta.

A duração do procedimento e da internação varia conforme a técnica, a condição clínica e a evolução. [6] [3]

Quais são os riscos?

O implante pode causar sangramento ou hematoma, infecção, deslocamento de eletrodo, trombose e pneumotórax, que é a entrada de ar ao redor do pulmão. Perfuração cardíaca com acúmulo de sangue ao redor do coração é uma complicação potencialmente grave.

Quando a infecção envolve o gerador, sua loja sob a pele ou os eletrodos, o tratamento geralmente exige retirar todo o sistema e usar antibióticos. Uma infecção superficial da incisão, sem envolvimento do aparelho, tem avaliação e tratamento diferentes. Febre, secreção, abertura da ferida ou vermelhidão progressiva exigem avaliação médica; não tente decidir sozinho se a infecção é superficial. Problemas nos eletrodos ou no gerador também podem demandar nova intervenção. [10]

Recuperação e acompanhamento

Antes da alta, peça orientações sobre curativo, banho, controle da dor e retorno. Os limites para carregar peso, praticar exercícios e movimentar o braço dependem do procedimento. Evitar esforço intenso não significa manter o braço imóvel: imobilização prolongada pode causar dor no ombro. Siga a orientação individual da equipe. [3]

Guarde o cartão de identificação do aparelho. Nas revisões, a equipe utiliza um aparelho chamado programador para verificar a bateria, os eletrodos e os registros do ritmo, além de ajustar a estimulação. O acompanhamento continua mesmo quando você se sente bem; a frequência das consultas depende do caso. [8]

Em algumas pessoas, a estimulação frequente do ventrículo direito pode reduzir a força de contração do coração ao longo do tempo. Por isso, a equipe acompanha os sintomas e a função cardíaca, além da bateria e dos eletrodos. A técnica de estimulação considera esse risco. [11]

Quando disponível para o aparelho e organizado pelo serviço, o monitoramento remoto permite enviar dados do dispositivo entre as consultas. A equipe explica como funciona e quando esses dados são avaliados. O envio não garante resposta imediata nem substitui atendimento de emergência. [12]

Existem alternativas ao marca-passo?

Algumas bradicardias melhoram com o tratamento da causa, como efeito de medicamentos, alterações da tireoide ou de eletrólitos. Quando é seguro, investigar e corrigir essas condições faz parte da avaliação. [1]

Em casos selecionados de desmaios reflexos graves e recorrentes, com queda importante dos batimentos apesar das medidas convencionais, a cardioneuroablação pode ser discutida por uma equipe especializada. A decisão exige confirmar o mecanismo dos desmaios e discutir benefícios, riscos e incertezas dos resultados em longo prazo.

Para outras bradicardias relacionadas ao nervo vago, o consenso internacional considera seu uso investigacional, em estudos controlados. A técnica não substitui o marca-passo indicado por doença do próprio sistema elétrico do coração. [5]

Quando procurar atendimento

Desmaio, dor no peito, falta de ar súbita ou intensa e sangramento importante exigem atendimento de urgência. Procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU, 192.

Febre, secreção, abertura da ferida ou vermelhidão que aumenta precisam de avaliação no mesmo dia. Entre em contato com a equipe; se não conseguir atendimento, procure um pronto-socorro. Tonturas novas e soluços persistentes devem ser comunicados prontamente à equipe. Não espere a revisão agendada. [7] [8]

Perguntas frequentes

Quem tem marca-passo pode fazer ressonância magnética?

Em muitos casos, sim. A equipe precisa verificar se o conjunto de gerador e eletrodos tem uma classificação que permite o exame sob condições específicas do fabricante, chamada de sistema condicional para ressonância. Mesmo sistemas sem essa classificação podem ser avaliados em serviços com protocolo específico. O exame exige planejamento, programação e monitorização apropriados. Informe que tem marca-passo antes de agendar o exame. [1] [2]

Quanto tempo dura a bateria?

A bateria dura vários anos, dependendo do modelo, da programação e de quanto o coração precisa de estimulação. Nos marca-passos convencionais, as revisões permitem planejar a troca do gerador, mantendo os eletrodos quando estão em boas condições. Nos modelos sem cabos, a bateria e o aparelho ficam dentro do coração: a estratégia ao fim da vida útil é diferente e deve ser planejada com a equipe. [8] [4]

Posso usar celular e eletrodomésticos?

Em geral, sim, seguindo as orientações do fabricante. Mantenha celulares e objetos com ímãs a pelo menos 15 cm do gerador e evite o bolso sobre o aparelho. Informe que tem marca-passo antes de exames, cirurgias e tratamentos que utilizem energia elétrica. [9]

Posso parar os remédios depois do implante?

O marca-passo não substitui os tratamentos de outras doenças cardíacas. Anticoagulantes prescritos por fibrilação atrial, por exemplo, podem continuar necessários. Qualquer ajuste antes ou depois do implante deve ser definido pelo médico.

Quando posso voltar a dirigir e trabalhar?

O prazo depende do motivo do implante, de eventuais desmaios, da recuperação e da atividade profissional. Combine a retomada na avaliação médica e siga as regras aplicáveis à habilitação. Organize transporte acompanhado na alta.

SEMAP · São Paulo, Brasil

Converse sobre a indicação de marca-passo

Na avaliação em São Paulo, leve os exames disponíveis e a lista de medicamentos. Conte quando os sintomas aparecem.

Solicitar avaliação pelo WhatsApp

+55 11 92137-6068 · Canal de agendamento, não de emergência.

Conheça a equipe médica

Referências científicas

  1. Teixeira RA et al. Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, 2023

    Arq Bras Cardiol. 120(1):e20220892. Indicações, tipos de dispositivo e ressonância magnética.

  2. Glikson M et al. ESC Guidelines on cardiac pacing and cardiac resynchronization therapy, 2021

    Europace. 2022;24:71-164. Diretriz de 2021, incluindo avaliação e ressonância em sistemas condicionais e não condicionais.

  3. Burri H et al. Consenso EHRA sobre técnica de implante de marca-passos e desfibriladores, 2021

    Europace. 23:983-1008. Procedimento, complicações e cuidados após o implante.

  4. American Heart Association. Posicionamento sobre cuidado de pacientes com dispositivos implantáveis, 2024

    Periprocedural Management and Multidisciplinary Care Pathways for Patients With Cardiac Implantable Electronic Devices. Distingue as funções dos tipos de CDI.

  5. EHRA/HRS/APHRS/LAHRS. Posicionamento sobre cardioneuroablação, 2024

    Europace. 26:euae206. Seleção de pacientes com síncope reflexa e bradiarritmias funcionais.

  6. NHLBI. Antes de receber um marca-passo

    Orientações ao paciente sobre preparo, medicamentos e planejamento da alta.

  7. NHLBI. Após receber um marca-passo

    Recuperação, complicações e sinais que devem ser comunicados à equipe.

  8. American Heart Association. Living With Your Pacemaker

    Cartão do aparelho, acompanhamento, bateria e sintomas de alerta.

  9. American Heart Association. Devices That May Interfere With ICDs and Pacemakers

    Cuidados com celulares, ímãs e procedimentos médicos.

  10. Blomström-Lundqvist C et al. Consenso internacional EHRA sobre infecção de dispositivos cardíacos implantáveis, 2020

    Europace. 2020;22:515-549. Diferencia infecção superficial da incisão de infecção do sistema e orienta remoção completa na infecção confirmada.

  11. HRS/APHRS/LAHRS. Diretriz de estimulação cardíaca fisiológica, 2023

    Acompanhamento da função ventricular em pessoas com estimulação ventricular direita substancial e escolha da estratégia de estimulação.

  12. HRS/EHRA/APHRS/LAHRS. Consenso sobre monitoramento remoto de dispositivos cardíacos implantáveis, 2023

    Organização do monitoramento remoto; transmissão de dados não substitui atendimento de emergência.