Tratamento de arritmias cardíacas

ECG educativo: Taquicardia supraventricular e ritmo sinusal

Taquicardia supraventricular e ritmo sinusal. Exemplo educativo; não representa o resultado de um paciente.

O tratamento das arritmias cardíacas pode incluir acompanhamento, cuidados com as causas e os fatores de risco, medicamentos, procedimentos ou dispositivos. A escolha parte do diagnóstico e dos objetivos do cuidado: aliviar sintomas, controlar os batimentos e, quando necessário, prevenir complicações. [1,2]

Responsabilidade editorial Prof. Dr. José Carlos Pachón Mateos CRM-SP 34.966 · Cardiologia · RQE 10.976

Como o tratamento é escolhido

A arritmia é uma alteração na velocidade ou na organização dos batimentos, que podem ser rápidos demais, lentos demais ou irregulares. [3]

A avaliação considera os sintomas, os riscos ligados à alteração do ritmo e as condições de saúde. Palpitações são sensações de coração disparado, batidas fortes ou “falhas” nos batimentos, mas essa percepção, por si só, não confirma uma arritmia. A ausência de palpitações também não basta para decidir se é preciso tratar. [1,3]

Pergunte, na consulta, o que o plano busca alcançar, quais são as alternativas e como será o acompanhamento. Controlar a velocidade dos batimentos, restaurar o ritmo e prevenir uma complicação podem exigir medidas distintas. [1]

Cuidado cardiológico integrado

Nossa equipe considera fundamental integrar o tratamento das arritmias à investigação e ao cuidado clínico cardiológico, de forma individualizada. Essa visão leva em conta a saúde cardiovascular como um todo e as necessidades de cada pessoa.

Em pessoas selecionadas com fibrilação atrial e fatores de risco, cuidar desses fatores e de outros problemas de saúde de forma conjunta e individualizada pode ajudar a aliviar os sintomas e reduzir a possibilidade de a arritmia voltar após a ablação. Esse conjunto de cuidados complementa os tratamentos indicados. [7,15]

Tratamento das arritmias cardíacas

O cuidado é individualizado e pode combinar diferentes opções.

  • Acompanhamento clínico
  • Hábitos, causas e fatores de risco
  • Medicamentos
  • Cardioversão
  • Ablação por cateter
  • Dispositivos implantáveis
A escolha depende do diagnóstico, dos sintomas e dos riscos de cada pessoa.

Acompanhamento e cuidado com as causas

Após a avaliação, algumas pessoas podem ser acompanhadas sem precisar de medicamentos para a arritmia ou de procedimentos. O plano prevê reavaliações conforme o quadro; a escolha não deve se basear apenas na presença ou na ausência de sintomas. [1,3,14]

Também pode ser preciso investigar e cuidar de condições que favorecem a arritmia, como alterações da tireoide, alterações nos sais do sangue ou efeitos de medicamentos. Nem sempre a causa é identificada. Informe todos os remédios e suplementos que usa. [2,4,6]

Hábitos de vida e fatores de risco

Alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física adequada à avaliação, não fumar e cuidar do peso e da pressão fazem parte do cuidado cardiovascular. Converse também sobre o consumo de álcool e os possíveis gatilhos dos episódios. Esses cuidados integram o plano, sem garantir que a arritmia desapareça. [1,2,4]

As orientações sobre café e exercícios não são iguais para todos. Na fibrilação atrial (FA), um tipo de arritmia, não se recomenda eliminar a cafeína de forma universal para prevenir episódios. Se o consumo parece agravar os sintomas, converse sobre um ajuste. [3,5]

A avaliação de problemas respiratórios durante o sono, como a apneia, também pode fazer parte do cuidado da FA. Ainda é incerto, porém, o efeito do tratamento da apneia para manter o ritmo normal. [5]

Medicamentos com objetivos diferentes

Alguns medicamentos diminuem a velocidade dos batimentos; outros ajudam a controlar episódios ou a manter o ritmo. A escolha leva em conta a arritmia e as condições de saúde, com acompanhamento da resposta e dos efeitos indesejados. Alguns remédios podem até provocar ou agravar arritmias. [6]

Os anticoagulantes têm outra finalidade. Na FA, podem ser indicados para diminuir o risco de coágulos e de acidente vascular cerebral (AVC), conforme o risco individual e a avaliação de sangramento. Esses medicamentos não corrigem o ritmo. A melhora dos sintomas ou o aparente sucesso após a ablação não permitem suspender automaticamente esse tratamento. [7]

Conheça as opções de tratamento da fibrilação atrial.

Cardioversão e ablação

A cardioversão busca restaurar o ritmo normal e pode ser feita com medicamentos ou com um choque elétrico controlado. Depois, outras medidas podem ser necessárias para manter o ritmo. A equipe define a indicação e os cuidados para reduzir riscos, como o de coágulos no contexto da FA. [8]

Na ablação por cateter, tubos finos são conduzidos pelos vasos até o coração para tratar regiões envolvidas na arritmia. Entre os riscos estão sangramento e lesões no coração ou nos vasos. Conforme o diagnóstico, é preciso discutir os benefícios, os riscos específicos e a possibilidade de a arritmia voltar. [7,9,14]

Quando um dispositivo pode ajudar

Os dispositivos têm funções distintas, e a indicação de cada um precisa ser avaliada:

  • O marca-passo emite estímulos elétricos para ajudar o coração em situações selecionadas de batimentos lentos ou bloqueios da condução elétrica. [10]
  • Em pessoas com indicação, o cardiodesfibrilador implantável, ou CDI, detecta e trata arritmias ventriculares potencialmente graves, que se originam nas câmaras inferiores do coração. Pode aplicar terapias elétricas para interrompê-las. [11]
  • A ressincronização cardíaca usa estimulação para coordenar melhor a contração dos ventrículos, as câmaras inferiores do coração, em pacientes selecionados com insuficiência cardíaca. [12]

Pergunte quais benefícios são esperados, quais são os riscos do implante e como será o acompanhamento. [12]

Quando procurar atendimento imediato

Procure atendimento imediato se estiver com palpitações acompanhadas de dor no peito, falta de ar, tontura, desmaio ou sensação de desmaio. Se esses sintomas já passaram, ainda é necessário buscar avaliação urgente. [3]

Em caso de emergência no Brasil, ligue para o SAMU, pelo 192. Dor súbita no peito ou sinais de AVC, como alteração súbita da fala ou perda de força de um lado do corpo, também exigem atendimento de emergência. Não espere resposta do canal de agendamento. [13]

Perguntas frequentes

Arritmia tem cura?

Não existe uma resposta única. Os resultados e a possibilidade de a arritmia voltar variam conforme o diagnóstico e o tratamento. Em algumas situações, o objetivo é interromper a arritmia; em outras, é necessário manter o controle ao longo do tempo. O acompanhamento recomendado continua importante. [7,14]

Preciso tentar medicamentos antes da ablação?

Não necessariamente. Após avaliação e decisão compartilhada, a ablação pode ser uma opção inicial em determinadas taquicardias, com batimentos rápidos, e na FA que ocorre em episódios. Isso não significa que o procedimento seja a melhor escolha para todos. [7,14]

Posso parar o remédio quando os sintomas melhorarem?

Não ajuste doses nem suspenda medicamentos sem conversar com a equipe. Sentir-se melhor não determina, por si só, quando interromper um tratamento. É preciso reavaliar a indicação de cada remédio. [6,7]

Converse sobre seu plano de cuidado

Leve à consulta os exames disponíveis, os registros das crises e a lista de medicamentos. Converse com a equipe sobre o diagnóstico, os benefícios esperados, os riscos, as alternativas e o acompanhamento. [6,8,14]

Referências

  1. American Heart Association. Prevention and Treatment of Arrhythmia.
  2. National Heart, Lung, and Blood Institute. Arrhythmias: Treatment.
  3. National Health Service. Heart rhythm problems (arrhythmia).
  4. National Heart, Lung, and Blood Institute. Arrhythmias: Causes and Triggers.
  5. Joglar JA e colaboradores. Diretriz ACC/AHA/ACCP/HRS de fibrilação atrial, 2023. Circulation. 2024;149:e1–e156.
  6. American Heart Association. Medications for Arrhythmia.
  7. Van Gelder IC e colaboradores. Diretriz ESC de fibrilação atrial, 2024. Eur Heart J. 2024;45:3314–3414.
  8. American Heart Association. Cardioversion.
  9. American Heart Association. Ablation for Arrhythmias.
  10. American Heart Association. Pacemaker.
  11. American Heart Association. Implantable Cardioverter Defibrillator (ICD).
  12. Chung MK e colaboradores. Diretriz HRS/APHRS/LAHRS de estimulação fisiológica cardíaca, 2023.
  13. Ministério da Saúde. SAMU 192.
  14. Brugada J e colaboradores. Diretriz ESC de taquicardias supraventriculares, 2019. Eur Heart J. 2020;41:655–720.
  15. Pathak RK, Elliott AD, Lau DH, et al. Aggressive Risk Factor Reduction Study for Atrial Fibrillation Implications for Ablation Outcomes: The ARREST-AF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiology. 2025. DOI: 10.1001/jamacardio.2025.4007.
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